A MULHER QUE SOFRIA MUITO COM AS RECORDAÇÕES MUSICAIS
por Luís Graça
Tudo lhe doía.
Desde “There will never be another you” (Art Pepper, 6 minutos e 9 de sexo oral feito por um ex-namorado que emigrou para a China comunista) até “The flight of the bumble-bee”, de Rimsky-Korsakov, pela voz do violino de Nigel Kennedy (um antigo colega de Faculdade que a sodomizou numa noite de temporal, para depois se ir gabar do feito para o Cais do Sodré, no “British Bar”).
A sua vida era um vendaval de desilusões amorosas, sempre acompanhadas de recordações musicais que funcionavam como guarnições indigestas para um “à la carte” do sofrimento afectivo. Pobre coração ávido de melodia!
A virgindade foi-se num fim de tarde esquisito, o céu plúmbeo de indecisões micro-climáticas. Os passarinhos desconfiados dos reformados que lhes atiravam com pão, os cães de dentes arreganhados para as crianças que brincavam à volta do coreto. A banda tocava a trilha sonora de “A golpada”, ela e Joaquim escondidos num recanto fétido, (mal) frequentado por ratazanas mafiosas que dominavam a zona. Não teve tempo para pensar. Joaquim agarrou-lhe os ombros com manápulas férreas de erecção acumulada, atirou-a contra a parede do coreto e a natureza seguiu o seu curso. Não foi violação porque ela estava demasiado entontecida para manifestar de forma expressa a sua desilusão com Joaquim. Em vez de 24 rosas, 20 centímetros. Ao invés de “amor, quero entrar em ti”, lá vai alho.
Este conto continua na edição impressa do número 28 da Revista 365.
Luís Graça é jornalista e escritor. Tem publicado «15 Desatinónimos para Fernando Pessoa», «De Boas Erecções está o Inferno Cheio» e «A Mulher que Fazia Recados às Putas e mais contos perversos», de onde retirámos «A mulher que sofria muito com as recordações musicais», que publicamos neste número.
por Luís Graça
Tudo lhe doía.
Desde “There will never be another you” (Art Pepper, 6 minutos e 9 de sexo oral feito por um ex-namorado que emigrou para a China comunista) até “The flight of the bumble-bee”, de Rimsky-Korsakov, pela voz do violino de Nigel Kennedy (um antigo colega de Faculdade que a sodomizou numa noite de temporal, para depois se ir gabar do feito para o Cais do Sodré, no “British Bar”).
A sua vida era um vendaval de desilusões amorosas, sempre acompanhadas de recordações musicais que funcionavam como guarnições indigestas para um “à la carte” do sofrimento afectivo. Pobre coração ávido de melodia!
A virgindade foi-se num fim de tarde esquisito, o céu plúmbeo de indecisões micro-climáticas. Os passarinhos desconfiados dos reformados que lhes atiravam com pão, os cães de dentes arreganhados para as crianças que brincavam à volta do coreto. A banda tocava a trilha sonora de “A golpada”, ela e Joaquim escondidos num recanto fétido, (mal) frequentado por ratazanas mafiosas que dominavam a zona. Não teve tempo para pensar. Joaquim agarrou-lhe os ombros com manápulas férreas de erecção acumulada, atirou-a contra a parede do coreto e a natureza seguiu o seu curso. Não foi violação porque ela estava demasiado entontecida para manifestar de forma expressa a sua desilusão com Joaquim. Em vez de 24 rosas, 20 centímetros. Ao invés de “amor, quero entrar em ti”, lá vai alho.
Este conto continua na edição impressa do número 28 da Revista 365.
Luís Graça é jornalista e escritor. Tem publicado «15 Desatinónimos para Fernando Pessoa», «De Boas Erecções está o Inferno Cheio» e «A Mulher que Fazia Recados às Putas e mais contos perversos», de onde retirámos «A mulher que sofria muito com as recordações musicais», que publicamos neste número.

A Mulher que Fazia Recados às Putas
e mais contos perversos
(Lewisgrace, 2007)
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